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sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Partículas discursivas no Português: funções

Enquanto sinais organizacionais, as partículas são usadas para ordenar e “comandar” a evolução duma oração e podem ser divididas em sinais iniciais e sinais finais.

Exemplos:
- sinais iniciais: agora, ah, ai, assim, bem, bom, depois, e, então, mas, pois, portanto
- sinais finais: não, não é?, não é verdade?, não foi?

As partículas discursivas podem também ser utilizadas como sinais do contacto, sendo necessário fazer a distinção entre os sinais de contacto por parte do orador e por parte do falante:

  • Sinais de contacto por parte do falante:
    - expressões do tratamento: a Sra., o Sr., meu Amor, minha Filha
    - assentimento: certo?, está bem?, hm?, não é assim?, não é isso?, sabe?
    - partículas que verificam a compreensão: compreende?, faço-me compreender?, percebe?
    - partículas que provocam uma reação por parte do interlocutor: diga, então?, explica lá?, fale, faz favor
  • Sinais de contacto por parte do ouvinte:
    - assentimento: ah bom, ai, claro, de acordo, diga, é evidente, é verdade, está bem, exactamente, pois, sem dúvida, sim
    - recusa: mas ..., não/não ..., olhe que, ouça, peço(-lhe) desculpa, por favor, repare, se me dá licença
    - admiração: ai meu Deus, é pá, essa agora, hã?, oh
    - incompreensão: como?, o que é que você disse?, para o quê?
    - sinais de turn-taking: desculpe, espere aí, está bem mas, oiça, peço desculpa, permite

O preenchimento de pausas numa oração é uma outra função das partículas (agora, ai, bem bom, como se diz?, de facto, digamos, pois) assim como a correcção de erros formais (bem, bom, digamos, eh, enfim, ou melhor). Para além destas funções, as partículas são ainda usadas como sinais de imprecisão (fulano tal, não sei onde/quanto/quem/quê, ou assim, ou seja o que for, para isto e para aquilo, qualquer coisa assim) e com a função de interjeições (hã?, hm, meu Deus, oh, zzzz).
Enquanto interjeições, as partículas permitem uma espontaneidade máxima, o que coaduna perfeitamente com uma das principais características da língua falada; são aceitáveis apenas numa conversação entre interlocutores que partilham uma certa familiaridade e podem expressar convite, exigência e pergunta, assentimento, recusa e protesto, valorização positiva e negativa, indiferença, sentimentos como dor, indignação, decepção, surpresa, alegria, sensibilidades como dor, fadiga, frio, aversão, etc.

Texto de Tomasz Perz (Protocolo do seminário "Português Falado", do dia 23.01.06. Para mais informações consultar seminário - 23.01.06 em
portuguesfalado.com.sapo.pt)

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