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segunda-feira, novembro 28, 2005

Português Falado: "variante" e "variedade"

1. Os termos “variante” e “variedade”

O ser humano conceptualiza o mundo de modo subjectivo e tem as suas próprias ideias e sensações. A linguagem que usa, mais concretamente as construções linguísticas que usa para verbalizar a conceptualização que faz do mundo que o rodeia e dos estímulos que processa, é reflexo dessa mesma subjectividade e variedade individual, a que se dá o nome de “variante”.
Tendo em conta que o indivíduo é um ser social, inserido num determinado grupo, essa variante individual propaga-se continuamente, numa espécie de corrente indutiva, por um grupo social, grupo etário ou até mesmo uma região, formando as chamadas “variedades”. Essas variedades, ou alguns elementos que lhes são característicos, podem ganhar uma importância maior alastrando-se por toda a comunidade linguística em causa, acabando por ser aceites e por se impor no sistema da língua (cf. post anterior - Português Falado: A linguística das variantes, a forma oral e escrita, o sentido da língua oral) como norma (de realçar o papel dos meios de comunicação neste sentido). O que era inicialmente individual e marcado transforma-se em algo regular, aceite por todos como construção normal. Este é o processo necessário para a evolução da língua; são estas variações (variantes e variedades) que dão o impulso para essa evolução. Sem variação não haveria mudança linguística.
O sistema de uma língua, isto é, todas as construções que uma língua tem ao seu dispor, possibilita a existência de variações (a “selecção” virtual de determinadas construções do sistema em detrimento de outras, a nível regional, social, etário, profissional, individual ou estilístico) que condicionam a mudança da mesma. Sistema e variação mantêm entre si uma relação metonímica de todo-parte.

2. “Corrente de variedades” de Koch/Oesterreicher (1990)

[trd. Koch, Peter / Oesterreicher, Wulf 1990. Gesprochene Sprache in der Romania. Französisch, Italienisch, Spanisch. Tübingen: Niemeyer, p. 15 - Esquema original]

Este esquema, ao qual Koch/Oesterreicher chamam a “Varietätenkette” (“corrente de variedades”), representa o continuum entre proximidade/distância. Por um lado, a um nível universal, o esquema mostra-nos que entre proximidade e distância existem níveis intermédios e que não se trata de uma relação bipolar, de “ou X ou Y”. Existem estruturas mais ou menos marcadas pela proximidade e outras mais ou menos marcadas pela distância. Daí a utilização do termo “continuum”. Por outro, ao nível de uma língua concreta, isolada, o esquema mostra que as marcas diafásicas, diastráticas e diatópicas estão interligadas. Num determinado falante ou grupo de falantes as marcas diatópicas podem, tendo em conta a norma da comunidade linguística, estar associadas a determinados traços diastráticos, que por sua vez, a um nível mais abrangente ainda, podem vir a ser apenas indicadores de um determinado estilo na utilização da língua em causa. Por exemplo, o lexema “gajo” no português era inicialmente uma marca dialectal, do português algarvio, que se generalizou não só a todo o país mas a todos os grupos sociais, perdendo o seu carácter de forte proximidade e as marcas diatópicas a ele associadas, deixando transparecer apenas a escolha do falante pelo estilo menos formal. Desta forma, as marcas diatópicas de um falante podem ser caracterizadas como diastraticamente baixas (“baixo – diastrático”) e assim sucessivamente.
Koch/Oesterreicher salientam ainda que estamos perante uma “corrente” unidireccional; a evolução ocorre de baixo para cima (diatópico – diastrático – diafásico até chegar à norma da língua concreta) e não vice-versa.


Texto de Tomasz Perz (Protocolo do seminário "Português Falado", do dia 07.11.05. Para mais informações consultar seminário - 07.11.05 em portuguesfalado.com.sapo.pt)

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